Piranha 3D

Alexandre Aja, 2010

No cinema, há quem classifique um filme não levando em conta apenas o conteúdo da obra, como também a pretensão que lhe foi carregada. No ano passado, Piranha 3D e A Origem são dois exemplos opostos comuns para quem gosta de fazer este tipo de classificação. O que aconteceu com Piranha 3D é que no início, a opinião unânime era lixo, pior filmes dos últimos ou de todos os tempos, mas rapidamente o longa ganhou seus fãs que alegavam que o filme não tem ambição nenhuma em ser obra-prima ou algo bem feito, ele visa apenas ser divertido e isso consegue com maestria, por isso ele engrandece instantaneamente. Mas se o filme é mal feita e apenas divertido, qual seria o fator sólido para o seu engrandecimento? Por isso eu sou adepto da lei de que cinema deve ser julgado independente do orçamento, da pretensão ou da sua equipe, seja A Origem, seja Piranha 3D, seja Cidadão Kane, seja Jogos Mortais.

Mas voltando ao que importa, Piranha 3D é realmente um filme banal, prometido para ser um filme banal e uma execução igualmente banal. A esstória se divide em duas situações: na primeira a xerife Julie está ao lado de uma equipe de pesquisadores tentando encontra no mar o local que aconteceu um estranho terremoto subterrâneo. Já o  filho da xerife, Jake, deixa seus irmãos menores sozinhos, para poder auxiliar um diretor de filmes pornográficos e suas modelos-que-não-aparece-e-nem-importam-os-nomes-o-que-importa-são-seus-peitos. Ainda há Jessica Szohr interpetando Kelly, um par romântico do adolescente de Jake, mas isso só serve para firmar o roteiro mais preguiçoso do que aparenta.

Durante todo o filme, nada além do óbvio se passa: pessoas, invariavelmente, morrem. Banhistas festeiros que desobedecem aos policiais, claro, acabam por se tornar o foco mais atraente das piranhas. Os poucos que conseguem ser salvos não escapam de inúmeros ferimentos pelo corpo nos membros que lhe restam deles. A equipe de maquiagem e efeitos visuais compensa no fluxo de sangue aquilo que a história nem sequer cogita trazer, espelhando um ótimo trabalho técnico cuja eficácia é o suficiente para que nada soe falso, estragando a única chance de sobrevivência do longa. Um êxito que não se repete com os atores.

Apesar dessa trama superficialíssima, por incrível que pareça, Piranha 3D é um remake do filme homônimo de Joe Danti de 1978, onde o ponto de partida era uma crítica inteligente ao governo norte-americano e sua intervenção estúpida no conflito do Vietnã. E aqui também é repleto de referências fáceis ao original, porém indiscutivelmente com um sucesso inferior. Mas também, parece que para o sangrento diretor Alexandre Aja é tudo uma justificativa sem fundamentos para ocorrer o domínio de sangue e mulheres de biquini (ou as vezes sem isso).

Como a técnica utilizada por Aja é o exploitation, comum em filmes de terro da década de 70, o resultado das piranhas computadorizadas não poderia ser pior. Revendo por questões gráficas, é impossível estabelecer qualquer comparação com seja lá que tipo de ilustração de peixes pré-históricos. Apesar disto, os movimentos rápidos e os planos fechados dos ataques aos banhistas revezam o sustento das sequências em questão, nas quais o sangue e os dentes são os aliados da velocidade, mascarando as falhas e trazendo ao primeiro plano toda a comicidade e angústia dos reles figurantes. Comicidade, sim, uma vez que os ruído das mandíbulas assassinas se confundem com o som das gargalhadas pelas mortes .

O mais inacreditável é que nenhum destes detalhes citados anteriormente são o maior defeito de Piranha 3D. O principal, já está no próprio nome: o 3D. O maior problema da tecnologia 3D é o seu uso. É preciso ser bem feito e proposto nos momentos certos. Este filme não foi rodado, mas sim convertido para 3D. Como um voto de confiança, poderia-se pensar que pelo fato de ser este o primeiro filme, possam até melhorar futuramente, basta não gravar um plano visto através de uma grade e passar isso para o 3D, são perceptíveis os defeitos da terceira dimensão mal sucedida. Até James Cameron criticou o uso dessa tecnologia no filme, claro que da forma mais arrogante possível, afinal é o diretor de Avatar. A cena em 3D que menos agrediu a nossa visão foi a das garotas nadando nuas no mar.

Piranha 3D é um filme que mistura o terror exploitation da década de 70 com tudo o que há de atual no gênero, ao mesmo tempo que mantém seu lado cômico na medida certa. Se você tiver estômago forte e quiser apenas se divertir, é uma ótima pedida, mas não pense que é porque Alexandre Aja cumpre o prometido que o filme vai além disso. É só mais um filme ruim, o ruim agradável.

2/5

4 comentários em “Piranha 3D”

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