Nikita (1ª temporada)

Craig Silverstein, 2010

Antes de começar a falar sobre essa série maravilhosa chamada Nikita, gostaria de falar um pouco sobre o canal que ela passa. The CW Television Network ou The CW ou mesmo CW é o resultado da união dos canais Warner Bros. e Paramount, que ocorreu em 2006. Esses dois canais que deram origem a CW, em especial a Warner, eram famosos por suas séries voltadas para o público jovem, tal como os clássicos Dawson’s Creek, The O.C. – Um Estranho no Paraíso e Buffy – A Caça-Vampiros. Hoje em dia o canal permanece com o mesmo objetivo de agradar os jovens, com o ponto negativo de que boa parte desse público não se interessa mais pelas suas séries. A globalização que os fez adquirir outros meios de entretenimento? O nível de qualidade do canal que caiu? As dúvidas são muitas… Pois bem, mas por que será que eu fiz toda essa introdução? Uma série de fatores que eu vou explicando no decorrer do post.

Nikita é uma “re-refilmagem” de um filme francês do início da década de 90. A série se foca na heroína Nikita, que trabalhava para uma organização secreta mercenária chamada Division, e sua busca pelo perdão próprio por ter matado tantos inocentes. Para diminuir sua culpa, ela sempre arranja um jeito de cortar o barato dos planos da Division, com a ajuda de sua subordinada e infiltrada Alex, que nem fazia parte do elenco original do filme mas que aqui tem tanta importância quanto Nikita. Se com essa sinopse, você lembrou de Jason Bourne não se preocupe, os 22 episódios da série consistem em comparação com a trilogia, tanto em questões de aprofundamento psicológico quanto em cenas de ação. Eu como fã da trilogia cinematográfica só posso encarar isso como algo bom.

Por essa descrição você também nota o como Nikita difere do restante das séries do canal CW. Durante o período fora do ar, entre dezembro de 2010 e março de 2011, até que tentaram modificar a personagem principal na tentativa de buscar mais atenção do seu público-alvo, mas no fim das contas, a série permaneceu do mesmo modo. Nikita tem uma construção impecável em relação a suas personagens, desde os seus três protagonistas até aos excelentes coadjuvantes. ara dar vida a tais personagens, Craig Silverstein soube escalar atores competentes, com ênfase em Lyndsy Fonseca, que soube dar a Alex uma carga maior do que o necessário mas nem por isso soou por um momento forçada. Pelo contrário, fez ela crescer naturalmente no decorrer da série, com suas constantes lembranças do passado obscuro.

Aliás, esse passado de Alex proporcionou a mim alguns dos melhores momentos da série: as cenas de tortura psicológica que Amanda (interpretada por Melinda Clarke, outra do elenco que vem se destacando bastante nos últimos episódios) faz com a personagem de Lyndsy. Ali além de você ver um show de atuação das duas atrizes, há também sequências com diálogos bem estruturadas, uma estória convincentes com seus detalhes sórdidos que trazem reviravoltas eficientes. A sintonia entre as duas também é evidente. Duas personagens extremamente perspicazes facilmente já teriam bons momentos, com a ajuda da equipe competente envolvida por trás então não há o que comentar.

Mas não há apenas acertos, a série também tem seus pontos fracos. Eles ficam meio implícitos com tamanha produção, mas existem. Ela é uma série que é capaz de tudo. Por ter uma estória tão frágil, ao mínimo erro pode estragar um episódio ou mesmo uma temporada completa e isso poderia sentenciar todo o trabalho até aí conseguido, o que não ocorreu, para o bem da humanidade! O que eu não gostei muito é a maneira com a qual alguns quase-relacionamentos da Nikita foram desenvolvidos. O Ryan Fletcher, por exemplo, no que deu o relacionamento deles? Em nada? Parece que ele foi um personagem que só serviu para a Nikita descarregar suas mágoas frustrantes e conseguir para série alguns momentos convencionais (talvez aquela tentativa de jovializar a série esteja aqui). Algo parecido ocorreu com Alex e Nathan, o relacionamento deles logo remete aos romances-dramáticos-teenagers de Gossip Girl (uma das séries fracassadas, mas bastante famosa, do canal). O Owen, que apareceu em poucos episódios, também era um personagem com um gigantesco potencial mas que foi desperdiçado em tons que não combinaram na interpretação do ator. Nikita e Michael sim, tem algo interessante de ser visto. Você nunca sabe se o que há entre eles é uma cumplicidade por terem trabalhado tanto tempo juntos ou se realmente um ama o outro, fora a química entre Maggie Q e Shane West que ajuda muito.

Com a queda da audiência que a série vem sofrendo, talvez tenham cortado alguns gastos da série. Afinal se você for comparar a produção de Nikita com outras séries do canal que mais parecem um filme de terror B de Sam Raimi, ela sai ganhando com glória. Isso resultou em cenas de ação, como a do episódio em que Alex e Jaden estão em busca de uma neurotoxina e há um explosão, mal feitas e nem devem comparam ao restante das realizadas. Porém houve uma recuperação instantânea e começaram a investir também em cenas que não necessitavam de tamanho orçamento, mas nem por isso menos bem feitas e que já criavam um grande clima de desfecho. Ah, mas sem desesperos, apesar desse clima de desfecho a série ainda abriu porta para inúmeras reviravoltas consistentes.

Enfim, Nikita encerrou sua primeira temporada como uma das grandes séries da atualidade (não em questões de sucesso, claro) e por mais que o canal esteja fazendo um grande suspense em torno da renovação ou cancelamento da série, a mesma deixa ao fim deixa uma boa dose de “quero mais” (leia-se Alex vilã).

4/5

2 comentários em “Nikita (1ª temporada)”

  1. Discordo sobre a menina lá que faz a Alex, nem vejo nada demais nela.
    A Nikita e o Michael arrasam mesmo hein. Tô no 1×14 ainda D:

^-^

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