Os 50 melhores filmes de 2011

Nada melhor como começar 2012 com… uma lista sobre 2011, hahaha. Na real, já era pra ter saído há alguns dias, mas por motivos ano-novistas teve um certa atraso. Bom, como eu vi muita coisa no ano que passou (muita coisa ruim também), deu pra fazer legal uma lista de 50 nomes e ainda colocar menções honrosas. Mas acho que até lá pelo top15, eu gosto de todos com algumas ressalvas (em alguns comentários é só crítica, praticamente). Foi um ano de várias surpresas também. Além disso tiveram alguns filmes que eu queria, mas não deu pra ver, como Os Monstros, Belair, Isto Não É um Filme, As Praias de Agnés, Trabalhar Cansa, O Palhaço, Os Residentes, etc. Lembrando que tiveram várias revisões, alguns caíram e outros subiram, então se encontrar algumas incongruências com o que eu já tinha comentado por aqui ou com aquela lista que eu postei na metade do ano, já sabe o porque. E antes do top, uma espécie de apanhado de outras coisas desinteressantes do ano.

Menções honrosas: Foo Fighters: Back and Forth (de James Moll), Contágio (de Steven Soderbergh), Um Sonho de Amor (de Luca Guadagnino), Reencontrando a Felicidade (John Cameron Mitchell), Amizade Colorida (de Will Gluck), Se Beber Não Case! Parte II (de Todd Phillips), Rio (de Carlos Saldanha) e O Poder e a Lei (de Brad Furman).

Dois grandes filmes que não chegaram no circuito e nem devem chegar: Mistérios de Lisboa (de Raoul Ruiz) e George Harrison: Living in Material World (de Martin Scorsese).

Grandes atuações masculinas do ano: Lambert Wilson (Homens e Deuses), Owen Wilson (Passe Livre, Como Você Sabe e Meia-noite em Paris), Joel Courtney (Super 8), Ewan McGregor (Toda a Forma do Amor), Daniel Craig (Cowboys & Aliens), Nicolas Cage (Fúria Sobre Rodas), Pegg/Frost (Paul), Christian Bale (O Vencedor), Charlie Day (Quero Matar Meu Chefe) e Ryan Gosling (Namorados Para Sempre).

E as femininas: Jeong-hie Yun (Poesia), Kristen Wigg (Missão Madrinhas de Casamento), Catherine Deneuve (Potiche: Esposa Troféu), Bryce Dallas Howard (Além da Vida), Elena Anaya (A Pele que Habito), Charlotte Gainsbourg (Melancolia), Keira Knighley (Não Me Abandone Jamais), Juliette Binoche (Cópia Fiel), Elle Fanning (Super 8) e Natalie Portman (Cisne Negro).

50. Pânico 4 | Scre4m | de Wes Craven

Até hoje não sei se gosto ou desgosto desse filme. Da primeira vez que vi no cinema, achei uma bobagem sem fim – e das ruins. Na segunda, também achei uma grande bobagem, só que das boas. A brincadeira com a metalinguagem é bem interessante, mas sempre está no filme de maneira boba a ponto de irritar. Também não sei ainda se o lado cômico (90% do filme) é voluntário ou involuntário. Mas a parte da Emma Roberts literalmente se ferrando é genial.

49. Trabalho Interno | Inside Job | de Charles Ferguson

Não só um documentário político informativo, mas também um filme absurdamente necessário. Um pouco de didatismo aqui e ali (que talvez também seja necessário), mas tudo sempre pertinente dentro de sua ambição/proposta. O Oscar foi mais do que justo.

48. O Guarda | The Guard | de John Michael McDonagh

Não é tão bom quanto a maioria do gênero que faz sucesso pelos circuitos aí da vida todos os anos, nem tão engraçado, nem mesmo tão criativo. Só reafirma a eficiência do humor negro, como um dos mais completos sub-gêneros dos últimos anos. A velha fórmula que sempre funciona.

47. Bruna Surfistinha | idem | de Marcus Baldini

O cinema publicitário (comercial?) do Brasil entrou em depressão esse ano e gerou alguns filmes tão fascinantes em alguns momentos e desprezível em outros, como este, longa de estréia de Marcus Baldini. Tão mal resolvido e incrivelmente equivocado no uso da música, mas em suas sequencias de adolescência e do convívio inicial de Bruna com as prostitutas é belo. Pena depois de um certo tempo se tornar uma mera biografia sem história a ser contada. O próprio Baldini explica didaticamente o que é bom e ruim no filme.

46. A Hora do Espanto | Fright Night | de Craig Gillespie

Seria muito melhor se este remake seguisse o mesmo estilo metalinguístico do original. Para alguns seria só um qualquer pegando carona em Pânico 4, de Wes Craven, mas para mim, seria tão divertido quanto. Ok, não sou muito de injkustiçar filmes pela minha preferência, então… vale falar que é vibrante e consegue transportar pelo menos um pouco da geração slasher para os tempos atuais (???) de torture porn.

45. O Vencedor | The Fighter | de David O. Russel

O. Russell foi mais bem-sucedido nessa onda tragicômica em Três Reis, nesse O Vencedor há muita coisa excessiva e banal (o que é a briga da Amy Adams com as irmãs?). Mas quando se propõe a ser um drama familiar numa escolha de realidade – é a única que tem – dura e sem esperanças, consegue se levantar. Christian Bale quase apaga o resto do elenco, que também é bom.

44. Potiche: Esposa Troféu | Potiche | de François Ozon

O filme é consistente de maneira correta (e bastante risível) até o momento em que Suzanne diz: Eu mudei, eu sou uma nova mulher. Daí em diante, Ozon perde a mão, ele abandona todo o clima familiar – que era o que equilibrava a estória – e passa a comandar uma trama extremamente feminista. Quem ainda levanta alguma coisa nisso aqui é Catherine Deneuve que, claro, graças a atmosfera teatral, o filme depende bastante da direção de atores – que é boa. Mas poderia ser melhor, beeem melhor, Ozon.

43. Um Lugar Qualquer | Somewhere | de Sofia Coppola

O filme era claramente pra ter sido um olhar pela curta – mas competente – carreira de Sofia Coppola, mas acabou virando uma releitura óbvia e simplista de Encontros e Desencontros. Pelo menos é tão bonito quanto. Ah, e é sempre bom vê-la transformando nada em alguma coisa.

42. Bróder | idem | de Jeferson De

Dos poucos comentários sobre esse filme, todos sempre lembram que “é bem mais que um filme sobre a favela”. Bom, a verdade é que é sobre a favela sim e, também sobre a amizade. Mas o lado maior dele é que é sobre as consequências. Num plano muito bonito onde todos os amigos estão dentro do carro, semelhante ao de Tomei/Seymour Hoffman em Antes que o Diabo Saiba que Você Estava Morto, isso é bem definido. Tudo é meio reducionista, é verdade, mas pelo menos não pega as situações diluídas como um certo filme de Breno Silveira que passou esses dias na TV.

41. Rango | idem | de Gore Verbinski

Este ano foi pouco interessante para animações. Só vi Enrolados, Rio e esse Rango. Os dois primeiros são ok. Rango consegue se sobressair por mostrar justamente que pode ser mais que um filme infantil, que trata de temas sérios e, vejam só, não é infantilizado. Talvez não seja tão bom quanto WALL-E ou Toy Story, até pela frieza e distanciamento em certos momentos (o que o público-alvo deve ter condenado), mas é um bom filme sobre as relações humanas e a busca pela identidade. Ah, o fato de ser um western dá todo um toque a mais.

40. Capitão América: O Primeiro Vingador | Captain America: The First Avenger | de Joe Johnston

Uma das grandes surpresas do ano, este filme de ação vindo da Marvel. Não vou negar que muito da minha admiração por ele vem do fato de não ter seguido a terrível tendência do cinema amerticano em querer transformar o cinema em mentira realista, mas também é difícil esquecer o bom encenador que é Johnston e sua dúzia de sequências pulsantes.

39. Não Me Abandone Jamais | Never Let Me Go | de Mark Romanek

Minha maior preocupação com esse filme é o como Romanek deixou que suas imagens afetassem a minha relação com ele. Não como em Cinzas do Paraíso, onde o distanciamento só fez abençoar o filme de Malick. Bom, mas pelo menos ele não desvirtuou a importância da imagem pro cinema (como Rob Marshall e Baz Luhrmann costumam fazer, só pra ficar entre exemplos óbvios). Mesmo assim, consegue acertar bastante quando é apenas um romance bonito, com um leve tom de ficção científica.

38. Incontrolável | Unstopabble | de Tony Scott

O estilo de excessos do Tony Scott sempre funciona comigo. Com suas várias ressalvas, mas sempre funciona. Incontrolável que não traz nada de novo, mas a fórmula tem lá o seu frescor atual, é bem por aí.

37. Que Mais Posso Querer | Cosa voglio di più | de Silvio Soldini

Sabe aquele filminho corretinho bunitchinho redondinho? Pois é. Sabe aquela câmera tremida que os diretores badalados da atualidade adoram? Agora imagina ela aí, sem precisar ficar tocando o terror no enquadramento…

36. Gainsbourg – O Homem Que Amava as Mulheres | Gainsbourg, vie héroïque | de Joann Sfar

Difícil não cair em várias contradições com os nossos pensamentos quando se trata de uma biografia de um dos caras mais talentosos e criativos de todos os tempos. Aquelas mais certinhas que vão pro Oscar todo ano certamento resultaria em catástrofe. O correto seria chamar o Todd Haynes né. Mas como filme em si eu diria que é bom, tem um de fábula (conceitualmente) bom, algumas passagens pouco interessantes que ganham muita atenção e outras grandes que ganham pouca. É bom.

35. Tio Boonmee, que Pode Recordar Suas Vidas Passadas | Loong Boonmee Raleuk Chat | de Apichatpong Weerasethakul

Preferia quando Joe se dividia bem entre realista e fantástico nas duas partes de Mal dos Trópicos. Aqui neste Tio Bonmee os dois entram em contato e resulta num troço desagradável pra caramba. Fora que em vários momentos eu mal entendo para o que ele está apontando (cheguei a cair no clichê de pensar que era um filme “de linguagem”, unicamente para um ou outro crítico). Mas o poder de hipnose das imagens do Joe ressaltam a superioridade do diretor.

34. Amor a Toda Prova | Crazy Stupid Love | de Glenn Ficarra e John Requa

De vez em quando aparecem essas comédias românticas com todos os clichês do mundo que, de alguma forma, funcionam. Assim, como eu não via desde Hitch – Conselheiro Amoroso e Alfie – O Sedutor. O filme para idiotas, como eu, se iludirem com uma dose regular de entretenimento.

33. Desconhecido | Unknown | de Jaume Collet-Serra

Filme de ação dos mais vagabundos e eficientes. Aliás, se tem uma coisa que o Collet-Serra sabe fazer bem é filmes genéricos como esse (chega a parecer uma emulação da trilogia Bourne ou poderia tranquilamente ser mais um episódio de Nikita ou 24 Horas). Ele me prende justamente nessa agilidade “pé-no-chão”, uma espécie de satisfação com a cena mainstream atual. A presença de Diane Kruger e January Jones é indispensável.

32. Os Agentes do Destino | The Adjustment Bureau | de George Nolfi

O filme discute sobre destino, livre-arbítrio, liberdade, autoridade, entre outros temas, de forma competente e criativa, mas se perde um pouco ao complementar essas discussões com questões pessimamente trabalhadas, como as metáforas religiosas. Além de se mostrar intrigante com as abordagens, incitando a curiosidade do espectador e no final. Pena ter um final tão banal, feito na medida certa pra agradar as grandes platéias. Mas satisfaz.

31. X-Men: Primeira Classe | X-Men: First Class | de Matthew Vaughn

Já tinha falado deste filme por aqui, mas depois de rever, algumas de suas qualidades foram perdidas. Ainda assim, prevalece a ideia de que é um bom filme de super-heróis mesclado em um tom nada superficial da Guerra Fria. Talvez o melhor da franquia, só poderia ter acabado logo no final da sequência na praia, né?

30. A Mentira | Easy A | de Will Gluck

O filme de estréia de Will Gluck que foi sucesso nos Estados Unidos, inesperadamente não teve a mesma sorte por aqui, Infelizmente foi pouquíssimo comentado, além de ter ido direto pras prateleiras das locadoras. Um bonito retrato da redenção e amadurecimento, embora superficial em alguns aspectos (quando flerta com as questões religiosas, por exemplo, a personagem de Amanda Byrnes é tediosamente estereotipada). E a Emma Stone foi uma surpresa e tanto, já chegou provando ser mais interessante que grande parte das “musas teens”. Um filme que John Hughes aprovaria.

29. Sua Alteza | Your Highness | de David Gordon Green

O cinema de David Gordon Green é sempre interessante. Ele já teve exemplos melhores, é verdade, mas não por isso que se deve desprezar as qualidade deste esquisito Sua Alteza. Gosto muito quando colocam situações cômicas em lugares e personagens inesperados, assim como em Paul onde Greg Mottola enfiou um E.T. desbocado. Aqui acontecem as mais variadas idiotices no período medieval, com bruxas e tudo. O perigoso é trabalhar com ideia sem se preocupar muito em vivê-las. Dessa armadilha, Gordon Green infelizmente não escapa: a graça dos vários momentos grotescos se esgotam mais rápido que a própria cena. Mas há sempre os planos bonitos que ressaltam a importância do local/ambientação.

28. Missão: Impossível – Protocolo Fantasma | Mission Impossible – Ghost Protocol | de Brad Bird

Sempre gostei muito da série. Não que haja algo demais nela, é só por conta da minha adoração pelos spy films e por em todos os quatro longas terem diretores que eu tanto gosto se unindo a “marca” Tom Cruise. Nesse aqui é a vez de Brad Bird. O filme se assemelha muito ao de John Woo: cenas de ação fantásticas (a badalada sequência em Dubai dispensa comentários), mas pouco cuidado no roteiro. Ok, quando eu me entreguei ao ilusionismo do Bird pouco importou, mas entre essas cenas fantásticas há momento tediosos que, por vezes, até tiram o brilhantismo delas.

27. Namorados Para Sempre | Blue Valentine | de Derek Cianfrance

O filme que emula em partes o cinema de John Cassavetes (observar os olhares de Gosling/Williams é como observar os de Gena Rowlands), acerta onde eu não esperava. Sempre muito direto, indo dos melhores aos piores momentos do casal, sem julgar ou botar a culpa em nenhum. Enfim, coisas que o diretor imaginou que ele não saberia trabalhar bem.

26. Tudo Pelo Poder | Ides of March | de George Clooney

Acho que já dá pra passar aquela conversa de “George Clooney se mostra hábil na direção” né? Este Tudo Pelo Poder reafirma sua competência em realizar uma direção limpa e correta, mas sempre viva. Tudo na visão mais clássica de cinema, onde o roteiro ágil e o elenco repleto de grandes estrelas (como o próprio Clooney) bem dirigido são indispensáveis. Se o filme carece de uma visão política mais detalhada, também não se deve esquecer da eficiência com que ele informa (e não é didático).

25. A Pele que Habito | La piel que habito | de Pedro Almodóvar

Não conhecendo muito do cinema de Almodóvar, foi normal eu sentir uma espécie de incômodo durante esse A Pele que Habito. Os traços autorais estão presentes desde o início. Mas não foi pelo estilo do diretor propriamente dito, é que há um claro diálogo com suas outras obras. Em alguns momentos há uma espécie de barreira entre ele e eu. Do filme, eu posso dizer que me surpreendi bastante, tudo flui naturalmente graças a ótima condução. Desde os temas mais pesados até o passeio por vários gêneros, indo de Frankenstein a Cronenberg e experimentando fazer filme de gênero. Só o recurso de flashback que é desnecessário.

24. Poesia | Shí | de Chang-dong Lee

Filme um pouco convencional (ainda mais se tratando de cinema oriental na atualidade), mas terno, delicado. Chang-dong Lee permanece fazendo filmes esteticamente limitados e claros demais, depositando quase todas as suas fixas nos atores (a atriz que faz Mija dispensa comentários). E ao contrário do que se espera, a frieza de Lee ajuda.

23. Quero Matar Meu Chefe | Horrible Bosses | de Seth Gordon

Neste tipo de comédia escrachada, dava pra fazer um roteiro mais acabadinho (os seis protagonistas nunca se encontram – isso evidencia a fragilidade do argumento -, fora algumas situações onde a previsibilidade desagrada), o que não impede do riso correr solto durante os 100 minutos de projeção. Tudo extrememante dependente do elenco e seu timing cômico, Seth Gordon não faz muita diferença.

22. Aterrorizada | The Ward | de John Carpenter

Avaliar um filme apenas dentro da carreira de um diretor é perigoso. No caso de Carpenter, fica claro que esse Aterrorizada perde feio pra grande parte da sua filmografia (quase toda, pra ser sincero). mas indo por esse caminho que ele se revela não apenas bom, como bastante coerente dentro de seus filmes. É tudo quase um deboche do cinema atual e suas tendências do terror psicológico, todos os aspectos completamente descuidados, restando apenas sua forma de conduzir. Essa sim, sempre grande!

21. Bravura Indômita | True Grit | de Joe e Ethan Coen

O filme simpático dos Coen não procura muitos caminhos além do óbvio: é uma espécie de exercício de estilo. Os irmãos recriam uma estória sempre de maneira tão característica deles mesmos que no final fica evidente que aquilo não parte apenas de um roteiro adaptado, mas também de autores imprimindo o seu modo de fazer cinema.

20. Fúria Sobre Rodas | Drive Angry 3D | de Patrick Lussier

Lussier aproveita ao máximo de todos os clichês dos bons e velhos filmes de ação e dos exploitation: personagens badass, trama de vingança, falas grossas, muita perseguição, sangue, mulheres etc. Mas ao contrário do que se espera, ele usa os clichês para formar algumas cenas inusitadas, bem boladas e divertidíssimas, como a sequência em que Nic Cage transa todo vestido, ao mesmo tempo em que participa de um tiroteio. Mas apesar do argumento vergonhosamente bem trabalhado, Fúria Sobre Rodas não seria nada sem a bela composição de imagens, sem uma mise en scène tão forte a ponto de formar julgamentos e exterminá-los em uma troca de postura. A simples posionação do ator – seja Cage ou William Fichtner – diante da câmera é o que determina pro espectador o quanto ele é “fodão”.

19. Cowboys & Aliens | idem | de John Favreu

Favreu; meio canalha, não muito um diretor (!); tira da confusão um filme coerente. Entre cowboys, xerifes, ladrões de ouro, cavalos e diligências, os lasers devastadores, as luzes brilhando no céu e as naves “laçando”, literalmente, as pessoas, cria-se uma sinfonia bastante peculiar na mistura de gêneros. Claro, com mais atenção aos westerns do que aos sci-fis. Estão lá os desfiladeiros, os índios, as colts. Mais do que isso, está o espírito do velho oeste. É essa construção de gênero que faz do filme uma experiência positiva. Ao caprichar na composição do western com seus planos abertos de grandes paisagens, ao caracterizar com acuidade os personagens dentro da mitologia desse universo, o filme ganha estofo e fundamento. É uma experiência que pega todo o espírito do auge do gênero (das décadas 40 a 60), mas consegue plenamente transportar para o nosso tempo.

18. Além da Vida | Hereafter | de Clint Eastwood

As irregularidades e limitações da narrativa paralela neste filme-espetáculo de Clint Eastwood é justamente onde ele cresce. O diretor, sempre um grande entusiasta dos tempos clássicos e o jeitão de americano-god-dam-it, aqui procura o que ainda tem pra viver (o filme não é sobre a morte); vai em busca de caminhos atuais para o seu cinema. Cenas tipicamente spilberguianas (como a do tsunami); merchandisings da Apple, Google, etc. Para além de ser um melodrama mais eficiente que a maioria dos seus anteriores, é também o filme de encontros que Invictus tentou ser. A cena onde Damon e Bryce Dallas Howard se conhecem melhor, onde menos se vê ou se fala e mais se sente, é talvez uma das definições mais bonitas de cinema nos últimos tempos.

17. Cisne Negro | Black Swan | de Darren Aronofsky

Aronofsky arrebata com uma câmera que acompanha os movimentos, se atira no turbilhão. Sai de uma passividade observadora para uma ação participativa, dança junto e parece se encantar com tanto com o gesto quanto com o movimento ao redor dele. Aronofsky se supera, obtendo um resultado avassalador e estonteante. Pena que por mais que eu goste do cara, é inevitável comentar a falta de amadurecimento dele. Interessante que os defeitos de Pi e Cisne Negro são praticamente os mesmos: sempre soando como um início (óbvio, né?), com referências que não parecem mais do que meras colagens de artifícios de outros diretores (Polanski, Lynch, Bergman, etc). Longe de fazer um filme onde se importa mais com seus ‘tiques’ que com outra coisa – como aconteceu com Requiém para um Sonho -, mas procurar os defeitos do seu cinema pra dar uma melhorada seria uma boa.

16. Melancolia | Melancholia | de Lars von Trier

Na primeira parte do filme, através da festa do casamento, Lars Von Trier apresenta não apenas todo o espaço no qual a ação do filme inteiro irá se realizar, bem como todos os personagens e seus dramas. Justine, uma mulher aparentemente feliz, amorosa com seu noivo, durante a festa, começa a demonstrar traços de “perturbação mental”, melancolia, pontuados a partir do materno e, a posteriori, nos será informado que outras crises anteriores ocorreram, com as quais a irmã-mãe Claire acredita-se capaz de lidar. Justine é a primeira pessoa a se sentir influenciada pelo planeta Melancholia que se aproxima e seu comportamento se modifica constantemente, especialmente, quando está ao ar livre, no lado exterior da mansão, quando tende à contemplação. Ela sente medo, ela sabe sobre algo extraordinário, tenta conversar com seus pais, em vão. Sua aparente fraqueza, sua melancolia, é sua sensibilidade e vai também se tornando sua fortaleza.

15. Singularidades de uma Rapariga Loura | idem | de Manoel de Oliveira

Não sei porque, mas os filmes do Manoel de Oliveira sempre me parecem incapazes de serem algo além de bons (numa análise apressada, é claro). Talvez seja pela duração dos mais recentes. Talvez. O fato é que por esse motivo, o velinho português está sempre me surpreendendo com filmes como Singularidades, onde em 60 minutos, um mundo de códigos e significados é aberto por um simples plano fixo.

14. Super 8 | idem | de J.J. Abrams

A nostalgia é cada vez mais presente no cinema contemporâneo. Nos últimos… é, 10 anos, é quase que obrigatório ter pelo menos um filme por ano assim. Só aqui nessa lista nem sei quantos eu já citei. Super 8 não é exatamente um filme sobre a nostalgia, mas sim como ela vai existir em qualquer tempo (Meia-noite em Paris?). É mais sobre um período da vida. “Sobre os moleques” – a melhor expressão. Enquanto J.J. Abrams venera Spielberg, Dante, Donner, Romero e outros, ele ao mesmo tempo quer também se igualar a eles. Maiss do que uma homenagem as matinês da década de 80, é um filme-matinê. De 2011.

13. Missão Madrinhas de Casamento | Bridesmaids | de Paul Feig

A fraca recepção da comédia mais comentada de 2011 aqui no Brasil se deve muito a expectativa. Não, não é a versão feminina de Se Beber Não Case (embora o paralelo entre as mulheres desses filme e os homens do outro seja claro). Tampouco é o filme que Sex and The City merecia. Bridesmaids consegue normalmente andar sem esse tipo de comparação, mas já que é pra entrar na onda, tem muito de Meninas Malvadas (um zomba das comédias teens, o outro das chick flicks e ambos terminam sendo justamente estas definições) e se iguala a Penetras Bons de Bico por passear livremente entre o humor grotesco e o convencional. Mas o grande plus dele é maturidade com que Paul Feig (ou Kristen Wigg) trata seu filme, o que faz dele um legítimo expoente do clã Apatow.

12. Cópia Fiel | Copie Conforme | de Abbas Kiarostami

Tenho medo de falar sobre esse filme.

11. Paul – Contatos Imediatos com Essa Figura | Paul | de Greg Mottola

É tanta coisa num só filme que nem sei por onde começar. No fundo ele não apresenta nada de novo pro cinema de Mottola, além de mostrar o seu lado referencial (que até já tinha participado de Adventureland). É só um road-movie de ficção científica sobre um E.T. politicamente incorreto (é só ele soltar qualquer palavrão que eu me mato de rir) virando amigo de Simon Pegg/Nick Frost, acompanhando Kristen Wiig indo de uma religiosa reprimida a desbocada. Ufa. E tem muita coisa ainda que nem caberia aqui. Uma pena que não foi tão lembrado quantos os dois primeiros trabalhos de Mottola.

10. Vênus Negra | Venus noire | de Abdellatif Kechiche

Poderia ser mais um daqueles filmes que supostamente desmascaram a podridão de uma sociedade, luta do bem contra o mal etc. mas Abdellatif Kechiche se limita a filmar tudo, quase como um voyeur (provavelmente por isso o fascínio que Saartjie exercia era tão evidente e fácil de aceitar). Levemente parecido com Mulheres no Front, de Zurlini.

9. Inquietos | Restless | de Gus van Sant

O filme que é muito mais sobre o amor, do que sobre a morte. Aliás, é como aprender amar pelo pouco tempo que resta e depois da morte. É como se Van Sant, sem nenhum medo de parecer excessivamente melodramático, encontrasse alguns dos mais variados clichês de Hollywood (o plot do filme é semelhante ao de Um Amor Pra Recordar). Um olhar bonito pelo cinema de Nicholas Ray (não apenas Juventude Transviada). Aventura de ilusões onde crer no lúdico é quase obrigatório.

8. Como Você Sabe | How do You Know | de James L. Brooks

Interessante o olhar de Brooks sobre o seus personagens, sempre atento as tantas diferenças entre eles, mas sempre afirmando também como essas diferenças podem conviver juntas. Ao reafirmar a possibilidade desse encontro surgir nas situações mais improváveis, com um(s) casal(is) improvável(is), ele se revela uma fabulador humano, atento aos detalhes de ser, respeitoso à diferença, tolerante, generoso. Pra cada clichê de comédia romântica, tem um texto incrível. Pra cada plano médio de campo-contracampo típico de série americana, uma cena bem coreografada, uma direção óbvia, mas correta. Brooks foi de superestimado a subestimado.

7. Caverna dos Sonhos Esquecidos | Cave of Forgotten Dreams | de Werner Herzog

Os documentários do Herzog sempre tem esse lance vibrante, inevitavelmente é um documentário de informações, mas isso aqui é o de menos. Ele sempre se preocupa muito em tornar aqueles locais uma experiência sensorial rica e fluida. As imagens rupestres, os mamutes, cavalos, ursos, a narração do Herzog. Isso sim deve valer a pena em 3D. Pena não poder conferir no cinema.

6. Meia-noite em Paris | Midnight in Paris | de Woody Allen

Ao ir para outra época, Owen Wilson descobre que as pessoas lá também sentem nostalgia por outra época. Apesar da moral forte imposta nesse filme (“Viva o presente!”), há uma maneira como o personagem troca de nostalgia, da restauradora para a reflexiva. Antes, o personagem não conseguia conquistar nada, sempre lá, melancólico, sonhando em viver em outra época. Já quando ele muda, a nostalgia dele não é mais tão “conservadora”, ele não quer mais voltar ao passado, agora é algo como ter o passado dentro de si, mas para ter alguma esperança, ver no passado uma conexão com o presente e o futuro.

5. Passe Livre | Hall Pass | de Peter e Bobby Farrelly

Este é talvez o trabalho dos Farrellys mais comum, se tratando do ponto de partida. Eles que há tanto tempo vem sendo criticados por ficarem corretos demais (o cinema desses dois sempre foi bem mais que humor politicamente incorreto), aqui trabalham muito com a moral – não moralista – dos homens de meia-idade e as crises conjugais. Rick e Fred (ou Peter e Bobby) são o que sobrou dos “garotões” dos outros filmes (Jim Carrey, Ben Stiller): caras que seguiram um padrão, mas continuam com vontade de experimentar – só experimentar mesmo, ou nem isso. E as gags, seja visuais ou físicas, continuam inspiradíssimas.

4. Homens e Deuses | Hommes et des Dieux | de Xavier Beauvois

A busca e redescoberta de Xavier Beauvois com uma narrativa que extrai da imagem a simbologia do homem como parte da grande obra divina. Obra essa que se mostra no detalhe do trabalho simples, na natureza rica em falsos silêncios e cujos ruídos são o testemunho dessa obra. São composições e enquadramentos de simbologia e beleza extrema, momentos em que através da imagem vemos o homem em perfeita comunhão com a natureza na busca de respostas para suas aflições. Contrapõe-se ao cotidiano os momentos de orações e recolhimento dos monges, numa alternância que parece querer equilibrar o trabalho e a vida cotidiana com a comunhão com Deus. No início parecem coisas distintas, mas ao longo do filme ganham a dimensão de uma coisa só, única e indissolúvel.

3. Caminho para O Nada | Road to Nowhere | de Monte Hellman

Todos os filmes deixam alguma marca. Tire todo o quebra-cabeça metalinguístico e o que sobra são 2 horas de puro cinema.

2. A Árvore da Vida | The Tree of Life | de Terrence Malick

A grande quantidade de detratores que o quinto filme de Malick conseguiu, se deve a dois motivos que eu condeno, ao menos ao tentar avaliar um filme: a expectativa e a ambição. Esse talvez seja seu projeto mais ambicioso, mas isso Malick sempre foi. Já em relação a expectativa, o hype é só uma consequência. Malick aqui não quer só resgatar a beleza da América, mas também a do Universo. Para ele, o homem está perdendo a capacidade de compreender o Universo de onde vive, com todas as suas belezas e imperfeições. A Filosofia (área em que Malick também atua e está presente no filme), que também questionou o sentido da vida, um dia definiu-se por “o aprendizado da morte”. Talvez esse seja mais um lado de A Árvore da Vida. Talvez o seu único defeito seja ser grande demais. Está aí um filme que o tempo que for, e ainda estaremos refletindo sobre seus pontos abordados, sobre suas imagens – seja pelo seu caráter (belo) visual ou pensante – e principalmente, sentindo o que foi a experiência que talvez nunca se repetirá.

1. O Garoto de Bicicleta | Le gamin au vélo | de Jean-Pierre e Luc Dardenne

Há autores que sempre buscam renovar o seu cinema, há aqueles que se repetem, há aqueles que conseguem funcionar limitados a uma única formula e há os irmãos Dardenne que simplesmente fazem… filmes dos irmãos Dardenne. É uma espécie de filme de ação onde só é imprimido o necessário – mas que nunca parece reduzido; é mais do que completo – e, compreendendo que quando se fala nesse tipo de filme só vem em mente frieza, penso que esses irmãos são ainda mais impressioantes; uma adesão a um olhar neorealista sobre o tom moral da ficção. Sempre muito próximo do cinema de Bresson (mesmo que aqui o paralelo seja com Ladrões de Bicicleta), trabalhando a câmera na mão próxima aos olhares dos não-atores (se vê que a interpretação incrível do garoto que faz Cyril é totalmente moldada pelos diretores). Um diálogo claro com A Criança, um filme de revolta.

E aqui se encerram as listas de 2011.

19 Comentários

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19 Respostas para “Os 50 melhores filmes de 2011

  1. “Só o recurso de flashback que é desnecessário” – não concordo, acho o flashback ao menos na maneira como almodovar utilizou, estimulante dentro do filme. a cada minuto ele só faz crescer, especialmente porque o mais interessante fica na segunda parte. e acompanhar algumas cenas onde várias ‘brechas’ ficam de fora e logo depois haver um ponto de vista mais detalhado foi sacada de mestre.

  2. Nossa! Que listão, hein… parabéns. Bom trabalho.
    Que acha de uma troca de links? Vou colocar o link de vcs lá no Injeção Cinéfila… Abs!

    http://www.injecaocinefila.wordpress.com/

  3. Listão mesmo….adorei….sempre estou catando listas
    com boas críticas…separei vários??

    Mariza Alencastro

  4. Isabelle Carminnate

    Capitão América *-*

  5. Tayná

    Seu comentário é muito bom, claro que também descordo em alguns mais isso é normal. Só acho q voce deveria falar um pouco mais dp filme.. Um Abraço..

    • Ly Horo

      Concordo com Henrique Pereira e com a Tayná, deveria se limitar nos comentários pessoais e falar mais da sinopse dos filmes, avaliações de média p ruins.

  6. Aramis

    Muita gente odeia o filme árvore da vida porque sempre esperam um filme que corre linearmente, mas na minha ideia é um filme de pura observação e reflexão. Tem que assistir bem calado.

  7. SR.Nfolga

    voces sao folgados hein, quer ler sinopse entra na locadora ou busca “sinopse” no google do filme q vc quer..
    odeio gente que nao pensa pra falar!

  8. savio

    harry potter ???? cade o melhor do mundo

  9. José Alves

    Realmente… passando os olhos na lista, espera encontrar “Copia Fiel” que medo de falar sobre este filme rsrsrs

  10. Ana Letícia

    Não acredito q A avore da vida ta nessa lista, é um filme chato e completamente sem sentido!

  11. Ana

    nãããããooooo acredito que não teeeem o HARRY POTTER!!!

  12. Paulo

    Cadê o Sucker Punch?

  13. Sandro Reis

    Trabalho exaustivo e bonito, e é claro, bem egocentrico.
    na parte de Almodóvar me surpreendi, achei “A pele que habito” um trabalho bem diferente dos demais, muito mais sóbrio e moderno, na verdade, não vi muito dos traços de Almodóvar nesse filme, e achei isso muito bacana também (muito embora, goste do abuso das cores e dos submundos de suas outras obras)

  14. João Pedro Dutra

    Poxa, acho que faltou o filme “Sem Limites”….

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